O salame de polvo da Cantina do Julliu´s

7 de agosto de 2013 § 8 Comentários

salame de polvo 1

Eu já disse aqui, mas repito: tenho preguiça de postar os lugares onde como. Faço fotos lindas, tudo direitinho, mas cadê que eu posto? Acabei de contar 26 pastas aqui, e falei: não é possível, vou postar pelo menos um agora.

Vou te contar, esse salame de polvo foi das melhores coisas que eu já comi na minha vida.

Da primeira vez que ouvi falar de uma tal “Cantina” do “Julius” no antigo e residencial bairro de “Roma”, na cidade baixa, obviamente que me vieram logo à mente as toalhas xadrezes em vermelho e verde, castiçais de garrafas de vinho e embutidos pendurados sobre o balcão. Ô! Mas qual nada! Esse nome é uma fraude e o dono nem se chama Julliu´s, mas Carlinhos. Vai saber a história…

É um boteco limpo e ajeitadinho, com algumas poucas mesas distribuídas entre uma pequena área interna, uma pequena varanda e a calçada. Cardápio variado de entradinhas tradicionais desde pratinhos de queijo temperado com salame e lombinho, carne de sol de primeira com cortes elegantes, e coisas que tais, que evolui para opções mais sofisticadas (e caras) como o salame de polvo e as refeições, como o espaguete de frutos do mar.

É claro que eles não informam NADA sobre a receita nem por decreto, mas não é difícil de imaginar, e nessa hora a experiência de anos de comilança e barriga no fogão, apontam sempre para conclusão de que os melhores pratos são os mais simples, que partem de matéria prima excelente e poucos e bons ingredientes selecionados para aquele casamento. Daí eu imagino um polvo extra fresco es-pe-ta-cu-lar cozido em água com algumas ervas, talvez cebola e sal até um ponto muito macio; depois vejo o cozinheiro ajeitando o polvo inteiro já frio sobre uma mesa, estirando os tentáculos, comportando-os lado a lado para depois enrolá-los com papel filme, prensando-os bastante, para que se tornem uma única peça, um salame de polvo. Posso apostar que o próximo passo é levar o salame ao congelador para que fique firme a ponto de corte preciso com uma lâmina elétrica ajustada para finíssimas fatias. Depois eles devem descongelar totalmente, deixar escorrer qualquer resquício de água, talvez até as enxuguem…e pronto. É dispô-las no prato e guarnecê-las com o melhor azeite de oliva extravirgem possível, ervas frescas picadinhas, gotas de limão e pitada de sal. Só acompanha pão fresquinho.

salame 2
(É ou não é?)

Bem, este é o meu palpite. Como eu faria. Ou melhor, como farei.

Mas voltando à Cantina, fiquei muito impressionada com aquilo e ao invés de ter pedido o espaguete de frutos do mar na sequência, deveria era ter comido outro salame daqueles, porque o espaguete estava muito bom, mas aquele salame, repito, é das melhores coisas que já comi na vida.

espaguete frutos do mar

Não se iluda, o boteco é caro. Acho que o salame custou R$40 e o espaguete para dois, R$70! Com as Originais (geladérrimas) a conta ficou deveras salgadinha. Nenhuma emoção no atendimento, nem dos garçons e nem do dono, mas o salame de polvo é uma experiência a ser vivida.

Cantina do Julliu´s: Rua da Galileia de Cima, 96, Roma. Tel: 3489-2935. De quarta a domingo das 11h às 22h.

Internacionais

11 de agosto de 2012 § 2 Comentários

Comer pastel de mariscada no tradicional e das antigas Internacionais (ou Koisa Nossa – ali naquele complexo de botecos atrás do Forte da Mouraria) depois do teatro, com dois amigos altíssimo astral, é jóia, mas tipo assim: jogo rápido, que ali o bafão é forte! Confusão e tiroteio!

Jeito de falar, viu gente, é seguro e tal, mas muita muvuca pra mim. Sem falar na Carminha batendo boca com a Nina nas indefectíveis telas de plasma. Mas que inferno!

Meus botecos circuito Barra

8 de agosto de 2012 § 20 Comentários


(do lado esquerdo, o Galeto Show)

Os meus botecos preferidos da Barra, ficam coincidentemente na mesma rua, a poucos metros um do outro: o Boteco Lupetta, o Galeto Show e o japa Ponto 3, todos na Marquês de Leão, próximos ao Farol da Barra. Mas o que é que cada um deles tem de bom pra mim?

BOTECO LUPETTA

Cada vez mais eu dou valor aos restaurantes e bares sem frescura, cujo compromisso único é oferecer uma ótima, excelente comida, a preço justo, num ambiente confortável, com atendimento cordial, e limpo, muito limpo. Isso para mim é o céu. Dispenso luxo, projetos arquitetônicos e decorativos, obras de arte, guardanapos de linho (não que eu não goste dessas coisas), mas prefiro pagar pela comida.

Eu não conheço o Alessandro Narduzzi a fundo, só de oi, mas adoro este perfil que ele escolheu para o seu último negócio, o Boteco Lupetta, uma versão boteco do seu restaurante anterior, o La Lupa, que começou no Pelourinho (onde permaneceu por bons anos), mudou-se e findou-se na Barra, num curto espaço de tempo. Eu não sei qual foi o caso do La Lupa, e nem quero saber, só sei que ele parecia ter dado muito certo; a impressão que eu tinha como cliente (do Pelourinho, não cheguei a conhecer o charmoso endereço da Ladeira da Barra) era de que o simpático chef italiano havia caído nas graças dos descolados com sua honestíssima comida, e aquilo me parecia muito justo. Talvez os motivos que justifiquem a minha desistência em abrir um restaurante sejam os mesmos que tenham justificado a opção por uma versão simplificada que o Alessando adotou para o seu estabelecimento. No Boteco Lupetta o papo é reto: poucas mesas entre a calçada e o corredor, atendimento okay, um cardápio INCRÍVEL, variado e italianíssimo de bruschetas, insalatas, carnes, frutos do mar, pratos do dia e pizzas de excelente massa artesanal, molho de tomate impecável e produtos de primeríssima qualidade, e o que é melhor, tudo a preços justíssimos, já que ele não banca nenhuma estrutura glam e não paga taxa para administradoras de cartão, o que eu acho ótimo, portanto leve seu dindim, que é jogo.


(Panzone Gramute, minha preferida)

É muito bom ver o Alessandro trabalhando em sua cozinha por trás do balcão, preparando sua comida mais que honesta pra gente; é muito divertido ver o Alessandro chegando com uma bicicleta especial com espaço de banner divulgando o seu próprio estabelecimento; é admirável a sua pegada empreendedora, que estabeleceu uma parceria o Galeto Show, inserindo no seu próprio cardápio o Galeto Alla Primo, que vem do seu vizinho de porta, que falo abaixo.


(foto: liciafabio.uol.com.br)

Enfim, eu acho o Alessandro (foto) e o Boteco Lupetta o máximo, e super recomendo.

GALETO SHOW

Há mais de dois anos recebi um panfleto na rua que me deixou bolada. Foi esse aqui em cima. Achei pesado, indigesto, guardei o flyer para fazer um post, e jamais imaginei que um dia fosse ser capaz de comer aqueles pobres pintos, a não ser desavisada. E foi bem o que aconteceu.

Uma amiga me arrastou pelo braço dizendo que eu precisava comer o melhor galeto da cidade, que era coisa de louco, esquema boteco, na calçada, tomando vento da orla na cara. Fui, né? Ô! Como é que não se atende a um chamado desses? Sentamos na calçada e eu já fiquei contrariada porque só tinha chopp Schin (e isso é lá chopp que se apresente?), mas fui salva pela long neck Devassa. Era hora do almoço, deixei a minha amiga me conduzir e ela pediu o básico: um galeto na brasa, com arroz, feijãozinho tropeiro e uma saladinha vinagrete. Quando o rango chegou eu senti firmeza. Primeiro porque estava fumegante, e eu adoro comida fumegante; saquei que o arroz era fresquinho e trabalhado no alho, que a vinagrete estava fresquinha também, o feijão lindo, úmido, sem excesso de farinha, e o cheiro e a cor do frango… alucinantes. Enchi a boca d’agua. E depois, gostei do sousplat, dos pratos, achei o serviço jeitosinho para um boteco de calçada.

Cara, o rango estava muito bom. Quis saber quem era o cozinheiro na hora e parti logo para a abordagem do preparo daquele galeto – crocante por fora e macio, aromático e MUITO bem temperado por dentro – que ele, muito fofo, abriu como quem abre o coração: era uma marinada com vinho e todos aqueles temperos que a gente tá careca de saber, tipo alho, cebola, ervas, limão, sal, pimenta. Mas tem a alquimia do cozinheiro, né? Este é o segredo, que mesmo que ele tentasse, não conseguiria explicar.

Só quando a conta chegou (R$22,00 o galeto com duas guarnições, que dá para dois) é que eu juntei lé com cré. Galeto Show, Galeto Show… Jesus! Não seria aquele do… panfleto? Dos pintos!? Misericórdia! (glup!) Engoli em seco, era tarde demais.

Pois é amiguinhos, melhor galeto da Baêa.

Virei freguesa, e Bento também, especialmente depois que descobriu que o Gaúcho, o garçon gracinha, sabia tudo sobre Indiana Jones. Saquei que o Galeto Show pertence ao mesmo dono de tradicional Habbeas Copos, do outro lado da rua, tanto é que a bebida vem de lá (adoro aquilo do garçon atravessando a rua equilibrando bandeja de chopp), e do lado de cá fica apenas a cozinha (de vidro) dos galetos.

Bom, vai ficar faltando o boteco japa Ponto 3, porque eu apaguei a pasta de fotos, sem querer. Mas segura aí, que da próxima vez que eu for lá não vou esquecer de vocês.

Não recomendo

27 de junho de 2012 § 21 Comentários

Quando eu vou num lugar muito ruim, me sinto na obrigação de salvar desavisados. Acho que a foto acima já diz muita coisa, mas não tudo. Depois que o Extudo, um tradicionalíssimo e ótimo restaurante do bairro boêmio do Rio Vermelho, não resistiu às cabeças de cachorro enterradas naquele bairro (reza a lenda que nada sobrevive no Rio Vermelho por conta disso – não me pergunte mais nada!), eu soube por algumas pessoas que tinham aberto um boteco super legal ali chamado Boteco do Zé, que seria do mesmo grupo do Boteco do França. Ensaiei meses para ir conferir, e no dia em que eu fui, juro por Jah, não acreditei. E eu não estou nem falando da ambientação deprê e nem da cara de morte dos funcionários totalmente despreparados, coitados, eu tô falando de toalhas de mesa sujas de dendê, cardápios caindo aos pedaços presos com durex, menu esquema tem mais acabou, e uma água de coco que leva 20 minutos para chegar. Um acinte e um desperdício da vista linda e romântica do mar do Rio Vermelho. Vá não que é esparro. Apesar do nome Bar do Zé no cardápio, a fachada agora ostenta uma placa de Confraria do França. Não sei e nem quero saber “qual é de mermo”. França, meu velho, tire o seu nome desse negócio rápido, pelamor, que o nome disso é queimação de filme. Vá por mim!

Bem, o Super Serve até que poderia ser – e foi para mim por algum tempo, num passado remoto – um boteco bacana ali no Apipema, que tem um astral legal, até o dia em que eu encontrei um fio de cabelo grosso e enorme – eu disse GROSSO E ENORME – no meu escondidinho. Chamei o garçon, mostrei o problema, ele levou até o gerente, que obviamente, e para a felicidade de todos, não caiu na besteira de questionar nada, liberou a conta, e nunca mais voltei lá. Isso deve ter sido há, sei lá, pelo menos 7 anos, antes de meu filho Bento nascer. Pois bem, dia desses estava trabalhando por lá, roxa de fome, e resolvi (descarada) dar mais uma chance, ver qual era. Vocês não vão acreditar. Pedi outro escondidinho, e não é que encontrei OUTRO fio de cabelo, só que desta vez mais fininho, de uma cabeleira rala? Velho, EU NÃO ACREDITEI! Levantei com a tigela fui até o balcão, contei meu histórico, o gerente ficou super escabreado, liberou a conta, óbvio, e desta vez, meus caros, acabou chorare, nunca mais. Mas fica a teu critério, tá? Porque a cerveja é gelada, o preço é bom e o rango não é ruim não, mas tem essas coisas. NDQENA! (Não diga que eu não avisei!).

O Jabuticaba eu não classificaria neste nível, mas eu tenho muito medo de restaurante que se propõe a pizzaria, e lanchonete, e creperia, e soparia e tudo o mais, porque no quesito restaurante eu penso que foco é importante. Okay, a MUITO falou que o restaurante e pizzaria Jabuticaba, em Brotas, era legal, e quando uma amiga me chamou para um esquema de aniversário dela na casa, achei massa a oportunidade de conhecer, mas não volto mais não. Porque, primeiro: detesto restaurante com tevê de plasma exibindo futebol. Segundo: detesto lugares que tem espaços quase inacessíveis para os garçons (a casa é toda recortada e ficamos num terraço esquecido pela humanidade). Terceiro: detesto escuridão onde como, preciso ver a comida (até para não comer cabelo, né?), e aquele lugar pelo menos, estava “a treva”! Quarto: garçon infeliz me parte o coração e me torra a paciência. Quinto: não posso com golpe de pizza, que a gente pede dois sabores e ela vem assim: a parte de marguerita, que é barata, vem farta, e a parte de camarão, que é cara, vem pobre, com 3 camarões miúdos e encolhidos. Sem comentários, saí correndo para nunca mais! E outra: não é barato não.

Eu juro que eu queria que todos os lugares de comer fossem incríveis e que eu só tivesse resenhas lindas a fazer sempre, mas o nome desse filme é Alice no País das Maravilhas, né?

Boteco: tradição pernambucana em Soterópolis

22 de junho de 2012 § 10 Comentários

Quando eu conheci o Boteco da Boa Viagem em Recife, eu fiquei doida. Primeiro porque ‘tava bombando de gente ótima; depois porque fiquei impressionada com a quantidade de garçons mobilizados no esquema de rodízio dos melhores acepipes de boteco, tudo fresco, quentinho, crocante e incrivelmente delicioso. Só pecado, óbvio: coxinhas, empadas, espetinhos, por aí; terceiro porque eu estava rodeada de mulheres muito especiais, foi um encontro de rainhas do lar em Recife.

Ocorre que o Boteco abriu uma filial aqui em Salvador, mais precisamente na Pituba, mais precisamente na Rua Amazonas. Ficou lindo! Eles transpuseram o mesmíssimo conceito e ambientação, e até os garçons vieram de lá (mas pela cara deles eu tenho pra mim que estão com saudade de casa). Mas acho que eu devo ter ido num dia errado. Era um domingo tipo 14h para almoçar.


(eu perco o juízo com os quadros vintage da casa)

A impressão que eu tive é de que o Boteco é daqueles lugares que só funciona bem no bafão, sabe? É como se os funcionários e o bar fossem treinados para movimento intenso, porque eles não funcionam bem com poucas pessoas na casa. Primeiro porque não rola o rodízio, já que o risco de perda dos acepipes – que não podem ser reaproveitados depois de fritos ou assados na brasa ou no forno – é grande; depois porque era tanto garçon pra pouca gente, que eu acho que um ficava esperando pelo outro e, inacreditavelmente, o serviço foi SUPER lento.

Mas voltando ao lado bom de tudo, que eu inclusive prefiro sempre, o cardápio é matador. São dezenas e dezenas de opções todas muito sedutoras tanto de petisco quanto de pratos, sendo os mais babativos à base de filés. Experimentei uma coxinha de abóbora com carne seca, um pedaço de frango gratinado com parmesão e pão de alho na brasa, e como não aguentaria almoçar mais àquela altura, até porque teve o efeito estufa da cervejota, pedi um mini filezinho mignon com creme de aipim e castanha gratinado, que estava bem bom. Olha ele aqui:

Não é barato não – você não vai gastar menos de 30 pilas para tomar duas cervejas boas e comer 2 ou 3 petiscos – mas quando funciona, super vale a pena. Eu prefiro Boteco em Recife, porém.

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