O cão de calçolão

21 de abril de 2015 § 48 Comentários

pfb

Tive muita resistência para entrar no Facebook, tanto que quando cheguei lá o que mais ouvi foi “finalmente”, como se até então eu vivesse em outro mundo. E vivia mesmo.

Tenho que admitir, foi um mal necessário, pois incontestavelmente o Facebook tornou-se uma ferramenta profissional da qual ninguém pode abrir mão, pelo menos em sã consciência. E era exatamente por isso que eu tanto o temia e usava expressões como “o cão de calçolão” para me referir a este discreto bicho papão, que entrou na vida de todo mundo em pele de cordeiro, e ganhou a confiança da humanidade a ponto de rendê-la e monitorá-la em todos os seus passos, criando vínculos fortes de dependência, para finalmente começar a ganhar o dinheiro que sempre esteve, obviamente, por trás de todo aquele encanto gentil de te conectar com o mundo, vender seu peixe, cuidar e facilitar a sua vida, tudo “free” de tão bonzinhos. Meu Deus, como os filmes de ficção foram legais (estes sim) desde sempre apontando para tudo isso! É como um deja vu.

Não entrei de gaiata, o que é pior, e muito conscientemente me vi sendo tragada por esse formato de comunicação digital muito mais rápido, muito mais frio, muito mais impessoal e padronizado. E, de repente, o tempo que eu levava no meu blog editando fotos e escrevendo sem compromisso com o tamanho do texto que as pessoas estão dispostas a ler, isso começou a parecer inadequado para o mundo real. É como se não houvesse mais tempo para isso, como se toda comunicação viável e válida tivesse formato imagético de Instagram ou rápido como se posta no Facebook no tempo do semáforo fechado com a foto do celular.

E tamanha foi a minha adesão quase forçada, porém consciente, que eu quase sumi do meu blog há mais de um ano. Perdi um domínio, sai do ar várias vezes e perdi muitos leitores (de blog, enquanto nas redes sociais eles só aumentam se eu quiser – e pagar). Isso é nítido através do número de comentários no blog versus o número de curtidas nas redes sociais. As palavras foram reduzidas a joinhas, e eu acho isso muito triste.

Sigo lembrando que o meu lugar é aqui.

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