Eu colunista

14 de janeiro de 2015 § 57 Comentários

estreia_atarde
(Matéria de apresentação super simpática hoje no Jornal A tarde, por Daniela Castro)

Trago no dedo médio da mão direita um calo. Um calo de tanto escrever. Um calo de… 44 menos 12… um calo de 32 anos de idade que nem mesmo o advento da internet deu cabo, fê-lo sumir. Não que eu não tenha sucumbido ao teclado em detrimento da “pena”, sim sucumbi, e cheguei até, em certos momentos, a ter uma dificuldade com a minha própria escrita, como se o desenho das linhas das minhas letras não obedecessem ao meu comando. Mas o fato é que ele, o calo, sobreviveu ainda assim, como uma marca, uma cicatriz do verbo.

Sempre falei à beça. Esquema Emília do Sítio, esquema nêga-do-leite. São tantas idéias, tantas visões, tantas paixões, tantas revoltas, tantas inspirações, inquietudes, palpitações, desejos, experiências, vivências, palavras soltas, sentimentos vãos, idiotices, ilusões, questionamentos, que sempre foi muito difícil para mim repousar a mente, esvaziá-la, tranquilizá-la. Achava que esse toró de idéias, essa enchente de tantas coisas do mundo na minha cabeça etudoaomesmotempoagora deveria ser o mesmo caminho por onde passam os malucos um minuto antes de abandonarem as suas vidas cidadãs e lançarem-se pelas tangentes do abandono social, da descivilização. E, confesso, tive medo.
Mas o tempo passou e eu cresci, ainda tagarela, ainda verborrágica, ainda prolixa, mas cada vez mais consciente da necessidade de alcançar a tão almejada temperança. Entendi também que essa porta escancarada para a percepção nunca se fecharia, e que o antídoto para o endoidecer seria filtro, tolerância, fé, reza, instrospecção, mas também, e mais do que nunca, a escrita, como uma válvula de escape.

O fato é que tenho escrito para muitas pessoas ao longo dos últimos 10 anos, através, principalmente, dos blogs que já tive. Cheguei a experimentar o status de “autora”. Como foi incrível ficar hospedada como autora na Feira do Livro de Ribeirão Preto, ostentar credencial de autora, receber remuneração anual como autora… aquilo era um sonho para mim, e eu viveria disso se pudesse.

E nessa estrada, tive muitos bons feedbacks de leitores brasileiros espalhados por todo o mundo. Me recordo de muitas mensagens, que recebo até hoje, do tipo “quando você vai lançar o seu próprio livro?” ou “você é uma comunicóloga, não vê?”; ou mais recentemente quando uma revista de grande circulação nacional listou os 38 melhores blogs do país onde constava o meu Pitéu com uma legenda do tipo “as receitas são como poemas…”. E conclui que muitas pessoas gostam mesmo da minha escrita, e que rola um reconhecimento muito bacana, não só por parte dos meus leitores, muita vez suspeitos, mas também por parte da imprensa. (Tô quase lá)

Me lembro que quando os blogs começaram a bombar, todo mundo tinha conhecimento de causa para falar de tudo, e que isso chateou sobremaneira a imprensa. E com razão. Eu mesma cheguei a ser agredida no meu próprio blog por um jornalista por ocasião do meu primeiro artigo publicado no Correio Braziliense, salvo engano. Ele não aceitava que uma blogueira qualquer escrevesse num jornal sobre comida. Mas logo depois dos primeiros minutos, quando me senti ofendida, me veio o pensamento “ele reconhece que escrevo bem, vou tomar como um elogio”. Óbvio que eu já tinha recebido uma demônia com sangue nos zóio, porém, e já tinha mandado ele pros quintos dos infernos publicamente, coisa que o tempo me ensinou a evitar.

Hoje, os jornais são muito mais democráticos e os espaços não se limitam apenas aos acadêmicos da palavra, mas a outros que tenham algo a dizer, de uma forma outra, que não o formato jornalístico.

E chegando finalmente ao ponto, estréio como colunista do Jornal A Tarde no próximo dia 15, na página de Gastronomia do Caderno 2+. Uma coluna de opinião. Livre. No mesmo jornal onde escreveram Ubaldo e Caetano…

Nada não, um pulo de 6 mil leitores entre blog e rede social para 55 mil.

Não posso deixar de lembrar o quanto suspirava ao ler a coluna de Danuza Leão no Estadão. Achava o máximo o fato de mesmo não sendo jornalista à época, ter conquistado tamanho reconhecimento. E tinha tanto orgulho dela! Não que eu esteja me comparando…

Mentira! Estou!

=)

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