Eu, Frida e o Livro da Erva Santa

7 de outubro de 2014 § 8 Comentários

ervaok
(Foto e tattoo no meu couro: Alessandra Topanotti)

Acho muito ruim quando um ídolo (principalmente daqueles que a gente tatua na pele) cai nas garras da indústria e do comércio e eu tenho que ficar cruzando com eles, presos em camisetas de gente que muitas vezes ignora o que ostenta no peito.

Mas acho muito bom quando eles caem nas garras de gente bem intencionada e capaz de difundir suas poéticas de forma linda e respeitosa, como é o caso do Erva Santa de Marla Sampaio.

O Livro da Erva Santa teria sido o livro secreto de receitas de Frida Kahlo, que foi uma boa cozinheira, e que encontrou no calor do fogão acalanto para muitas de suas dores físicas, existenciais e amorosas. No fictício O Segredo de Frida Kahlo, de Francisco Haghenbeck, ela contaria muitos dos episódios marcantes de sua fascinante e doída passagem pelo mundo, alinhavados com estas receitas.

Mas voltando ao projeto, ele consiste em celebrações mensais à memória de Frida Kahlo, através da reprodução de todas as receitas que constam no livro, capítulo a capítulo, edição a edição do projeto. Normalmente os pratos são preparados pela própria produtora-anfitriã, que também adora cozinhar.

Para a edição de outubro, conhecedora do meu trampo (e da minha tattoo), ela me convidou oferecendo-me dois dos capítulos a mim mais caros e simbólicos do livro, um presente.

Nos capítulos XI e XII, Frida muda-se para São Francisco acompanhando Diego, incumbido de pintar um enorme mural que deveria mantê-los ali por, pelo menos, um ano. Frida estava em frangalhos com um recente aborto do Dieguito que tanto sonhara, e que trouxe consigo a constatação de que jamais poderia ser mãe. Além disso, os dedos do seu pé esquerdo atrofiavam-se cada vez mais em dor lancinante. E mais, Diego parecia não enxergá-la, pois só tinha olhos para a fama e o sexo fácil. Na época, Frida não passava de uma sombra de seu marido, mas é justo nestes capítulos que ela, por medida de sobrevivência, enlouquece um pouco e converte-se na Frida com nome próprio.

As receitas que ilustram estes dois lindos capítulos e que me foram atribuídas por sorte do destino são as As Costeletas do Doutorzinho Seu Leo – um médico que tornara-se o seu melhor e mais leal amigo na vida – e a Torta de Maçã Mommy Eve, em homenagem a uma alma penada e amiga invisível que criou para si (ou não).

Não reproduzirei as suas receitas à risca, porém. Cozinharemos juntas.

Quem quiser garantir um lugar à mesa de Frida deve confirmar presença no evento criado na página Erva Santa no Facebook, e a produção retornará com todas as informações necessárias. O evento acontece no Espaço Cultural Bahvna, uma casa linda de morrer no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Aproveitem para ver as fotos das edições anteriores.

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