Dolmacacão sustentável

7 de novembro de 2013 § 19 Comentários

dolmacacao

A dolmã é aquele uniforme dos chefs, a camisa. Nunca encontrei uma dolmã gatinha, que vestisse bem, e não me engordasse em 2 quilos de busto. Daí que há bastante tempo eu já pensava possibilidades de dolmã melhor modeladas e um bocadinho fora do padrão; no caso, a minha dolmã. Vários formatos vieram à minha cabeça: macacão, macaquinho, vestido. Mas o tempo do meu uniforme nunca chegava até o Bahia International Guide, que me serviu de mote para materializar o projeto. Mas ele era ousado e eu não saco nada de modelagem e costura.

Já tinha paquerado a minha amiga Luciana Galeão, estilista baiana preferida (cujos vestidos vocês já viram várias vezes vestindo a teledramaturgia brasileira em Marietas Severos, Déboras Secos, Letícias Spillers e coisas que tais), que se mostrou super animada em me dar essa consultoria, e era chegada a hora de retomar essa parceria. Eu amo o trabalho dela, porque além de lindo, ela trabalha sustentatbilidade na moda. Prova disso são os trabalhos que desenvolve para o Projeto Axé, entre eles o desenvolvimento de produtos feitos à partir da customização de calças jeans rotas que foram utilizadas por funcionários da construtora Odebrecht, rigorosamente higienizadas e doadas à instituição para a fabricação de roupas e acessórios criados pela Lu. Fui encontrá-la na loja para pirarmos no meu uniforme e ela jogou essa idéia na minha cabeça: “Katita, ainda temos muitas calças. Que tal um uniforme sustentável?” Endoidei, né?

eu e a lu
(Eu, Luciana Galeão e uma pilha de matéria prima sustentável, no projeto Axé)

Mas não é nada fácil ser sustentável. Há de se dedicar algo que hoje em dia é cada vez mais raro, que é muito tempo. E como tempo é dinheiro, ser sustentável também sai caro às vezes. Mas como vale a pena! Super vale a pena. Mas vai vendo as etapas: primeiro sai da loja com uma pacoteira de calças; depois, com a ajuda da amiga Karina Muniz, filha de costureira e super jeitosa para essas coisas, abrimos as calças pelas costuras, preservando as suas marcas e reservando bolsos e cozes. Depois elas foram para a casa da minha amiga Gal, que as transformou numa peça de tecido de 1,5 X 2,00. Depois, finalmente, levei o tecido para uma costureira incrível da Lu, que trabalha para estilistas e boutiques, para tirar medidas e pensar modelagem. Quase pifei no meio do atelier quando ela me disse o preço, mas segurei na mão de Jah, respirei fundo e me condicionei a pensar que estava investindo numa modelagem única, só minha, a partir da qual eu poderia produzir outras versões com outras costureiras menos bombadas, porém limpinhas. Seria um macacão de operária da cozinha, mas um macacão elegante, confortável, único e que fosse a minha cara.

Gostei muito do que vesti no dia da prova, e poucos ajustes foram necessários. Utilizamos bolsos originais e no último momento eu pedi que ela utilizasse os cozes das calças que eu havia reservado para fazer a gola da dolmã, com passadores e tudo. Tiro certeiro. =)

O fato é que eu parei o trânsito com o que passei a chamar de dolmacacão. Cogitamos a possibilidade de descolorir a peça, mas não deu tempo. Minha comadre Ulli bordaria o meu logo numa das mangas, mas não deu tempo. Projetos adiados para as novas peças que virão a partir desta.

dolma
(foto: Karina Muniz)

Moda e gastronomia. Por que não? =)

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