Tem uma usina dentro da minha cabeça

25 de outubro de 2013 § 24 Comentários

invencionices
(protótipo da minha caçapa nas mãos da chef Leila Carreiro, minha amiga do Dona Mariquita, primeira a experimentar; e detalhe das pranchas de Bocari, que foram servidas às colheradas no Bahia International Guide, última terça).

Vontade enorme de estudar, viajar, comer e voltar para a cozinha para criar receitas novas, inusitadas ou não. E quando eu digo viajar, neste momento, falo de viajar pelo meu próprio país. Não que eu não queira muito dar uma banda pela Europa, #quemnão? Não que eu não queira muito fazer uns cursos por lá, que sei bem quais são, mas como eu escrevi há muitos anos atrás, e nada mudou nesse sentido, a minha cozinha é brasileira. Eu realmente acho o Brasil um luxo, especialmente à mesa, e vou me sentir muito mais segura para explorar a comida alheia depois que experimentar todos os nossos feijões e raízes e frutas e pimentas e costumes e feiras populares, onde me sinto em casa, até mesmo nas mais humildes e improvisadas, de chão.

O meu trabalho tem me oportunizado isso, conhecer melhor a nossa cultura gastronômica. Seja quando sou contratada para consultorias – especialmente na área de arte e cultura – seja simplesmente para um evento como o recente Bahia International Guide (para o qual fui convidada como única chef – que não sou – entre alguns dos maiores chefs – que sim, eles são – da Bahia). Nao queria mostrar mais do mesmo, oferecendo aqueles pratos que não tem erro, de comer rezando. Sim, eu queria oferecer deliciosos sabores, mas que fossem novos. Para mim aquilo não era apenas uma celebração onde cada um apresenta o que faz de melhor; eu esperava que fosse um festival de criatividade, que surpreendesse as pessoas, porque a comida institucional de cada dia está lá nos restaurantes.

Foi com essa motivação que criei a minha Caçapa de Mangalô com Jabá e o meu Bocari (BOlo de laranja com especiarias + CA de cacau fino baiano dos Chocolates Costanegro que vocês vão ouvir falar, e muito + nosso licuRI, um coquinho típico do nordeste e que habita a minha memória afetiva, quando ostentava no pescoço colares de coquinho vendidos nas feiras de interior); além desses, servi também um couscous de galinhada que fez muito sucesso, mas não me causou tanto orgulho quanto os demais, pois não o classifico como uma criação minha, mas uma junção de dois clássicos, que são o couscous e a galinhada (especialmente nesse momento de créditos de galinhada para o Atala). Meu chamego foi para a caçapa e o bocari, cujos nomes, inclusive, também foram criações minhas.

O orgulho que eu senti pela minha coragem de apresentar o novo, pelo sabor que consegui, e pela excelente aceitação do público, que percebeu essa diferença na minha proposta, não teve preço, e se alguma coisa realmente valeu a pena em meio àquele festival de egos e glamour em torno da comida-espetáculo para ávidos BLers (consumidores de BL, acabei de inventar), foi o meu próprio movimento de pesquisa, ralação, e respeito pelo que eu acredito.

As receitas, seus princípios, minha dolmacacão sustentável, e a cobertura do bafão, nos próximos capítulos.

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