Rumos de uma cozinheira que é amiga das artes

10 de setembro de 2013 § 28 Comentários

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(lapelas de cravo e canela dos meus garçons, para a exposição Carybé ilustra Jorge Amado)

Nunca penso gastronomia como Arte, assim como a moda. Acho que são linguagens muito próximas, que dialogam e podem se apoiar na Arte, mas não necessariamente sê-la.

No meu caso, por exemplo, por ter sido produtora e gestora cultural por muitos anos; por ter me graduado numa escola de belas artes, e por conhecer a maior parte da classe artística da minha cidade, tem sido muito natural, que a minha comida se aproxime e dialogue com a Arte. Exemplo: acabo de chegar de uma reunião com um ator baiano que gosto muitíssimo, e com quem estou desenvolvendo um trabalho de consultoria de gastronomia para um espetáculo. Não, na verdade o projeto, que estréia em novembro, é composto por três espetáculos que acontecem em torno da mesa. Cada um deles, absolutamente distintos um do outro, e tem sido um desafio e tanto me debruçar sobre esses textos, contextos, personagens e ambiências, para criar esses menus e mesas que contarão essas estórias.

Semana passada realizei o coquetel de abertura de uma exposição de ilustrações do mestre Carybé para a obra de Jorge Amado no Solar do Ferrão. Para apresentar a proposta, me debrucei sobre a comida na obra de Jorge para criar versões coquetel, e tive o meu trabalho classificado pela produtora como “curadoria gastronômica”.

Antes foi Deborah Colker, o projeto Comidinhas do Bem casado com os espetáculos infantis de domingo do teatro Espaço Xisto, e antes e antes festivais de audiovisual, vernissages, festivais de artes cênicas, quem sabe literatura fim do mês… e o vínculo segue forte com a Arte que sempre esteve presente na minha cozinha.

Mas não só isso. Continuo fazendo as minhas festas quentinhas; tocando a minha Pequena Escola de Culinária da Katita e recebendo grupos em casa para pequenas celebrações; aquecendo novos projetos de audiovisual; aceitando desafio de participar como chef de um evento de projeção internacional mesmo tendo absoluta convicção de não ser chef coisíssima nenhuma – o que não diminui o meu trabalho, porém; tentando organizar os meus escritos para… um novo livro quem sabe?; namorando projetos de consultorias de cardápio em paraísos distantes da cidade; bloqueando a agenda para mais uma temporada como chefe de cozinha dos Graham em Maraú, entre muitas outras pequenas coisas.

Tudo isso para que vocês me perdoem pelos hiatos de silêncio ultra-produtivos e saudosos demais; pequena e só no meio desse mundaréu de caminhos abertos e sedutores.

Nunca vou conseguir postar tudo o que fotografo para vocês. Mas aos poucos, quem sabe…

Amor,
K.

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