É preciso saber viver

29 de janeiro de 2013 § 48 Comentários

mergulho
(minhas escapulidas para um mergulho)

Eu tenho observado as pessoas cada vez mais. Coisas que vieram com o tempo. Espevitada desde pequena, sempre falei mais do que ouvi e apareci mais do que me tornei invisível. Que bom que ainda há tempo para inverter, um pouco que seja, este quadro.

Tenho observado pessoas tão condicionadas ao trabalho, que não conseguem perceber a paisagem pela janela do ônibus. Lá em Maraú conheci muitos nativos que nem caem no mar; crianças confinadas de frente para a tevê o dia todo, comendo biscoito recheado, com aquela natureza exuberante lá fora. Essas coisas me apavoram um pouco e quando percebo isso, arregalo bem os olhos para as belezas, os pulmões para a brisa, os cabelos para o vento, os pés para a areia, como que para me integrar à natureza e não ser contaminada por essa cegueira, que nem no livro de Saramago.

A rotina de trabalho na cozinha de Maraú começa às 8h e vai até às 22h, e pode-se escolher entre:

“Vim aqui para trabalhar, e prefiro adiantar o jantar nas pausas do almoço e fim da tarde para terminar logo e ir para a cama mais cedo; se der estico as pernas assistindo Vale a Pena Ver de Novo. Eu até que podia dar uma caminhada na praia de manhã cedo, mas acho que vou preferir dormir mais um bocadinho”.

OU

“Vim aqui para trabalhar, mas vou me abastecer na Natureza”. Meu caso.

frutos do mar
(pequenos tesouros da areia colhidos nas caminhadas matinais)

Acordava todos os dias às 6h e ia mergulhar e caminhar antes mesmo de escovar os dentes, minha reza diária, minha fonte de energia. Mergulhava de pé e cabeça e pedia a benção matinal ao Divino e a Iemanjá. Voltava às 7h pilhada e radiante, tomava um belo banho, me paramentava, e descia para o café da manhã, já na minha cozinha. Uma vez servido o almoço, pendurava o dolman, e outra fuga para me reabastecer no mar para o segundo turno; e quando me foi possível ainda fechei os trabalhos com mergulhos noturnos sob a luz de uma linda e abençoada lua cheia.

pin
(recebendo uma pinup na lancha a caminho das compras em Camamu)

Posso dizer que trabalhei duro, mas aproveitei cada segundo daquele paraíso, fosse contemplando o mar da janela da cozinha, fosse recebendo uma pinup a caminho das compras de lancha (uma festa!), ou mesmo indo comprar um ingrediente faltoso na vila, e aproveitando para admirar aquele etilo de vida tão… tão arejado e cheio de um it, uma bossa, sofisticados e simples a um só tempo, bem do jeito que eu amo loucamente.

vila
(meus olhos na vila)

Felicidade é predisposição. Eu acho.

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