Casa viva

6 de novembro de 2012 § 42 Comentários

Eu não sei quanto à sua, mas a minha casa só falta falar. Me diz quando precisa respirar, ensolarar, se preservar, mudar tudo de lugar, colorir, embranquecer, resumir, encher. Por tudo isso, está sempre em movimento. Evidente que este movimento é consequência do meu próprio estado de espírito e necessidades práticas de cada momento.

Quarto para mim, por exemplo, sempre teve duas finalidades: descanso de tudo e amor, portanto, sempre evitei os televisores e computadores, de onde saem o mundo. No entanto, a minha casa me obrigou a mudar isso recentemente e não sei se está sendo bom.

Foi assim: Bento não estava habitando o quarto dele, e acampou no que eu chamava de gabinete, um quarto onde funcionava a minha estação de trabalho + quarto de hóspedes, onde ficava a única tevê da casa. Levava os seus brinquedos para lá e assim ficava perto da mamãe – falando pelos cotovelos sem deixar a mamãe se concentrar nos textos e orçamentos, assistia tevê, devedê, instalou o inferno do playstation, e lá foi ficando. E o quarto dele vazio, deserto, desbotando… além disso, o gabinete tinha janela e porta para a varanda, enquanto o quarto dele, só uma janela, que ele usava como porta para cortar caminho. E digo mais, o quarto dele estava ficando pequeno para um moleque letrado, que agora precisava de estação de trabalho, que nem a mamãe. Daí que fez-se a luz: se Bento não ia pro seu quarto, o seu quarto viria até Bento. E mudei tudo de lugar. Hóspedes para o quarto de Bê, quarto de Bê versão menino letrado para um quarto maior, mais arejado, com janela e porta para um canto da varanda para chamar de seu. Foi lindo. Tudo resolvido, guri feliz e instalado no quarto, que era seu por direito.

Só um problema: minha estação de trabalho ficou flutuando, uma vez que o novo quarto de hóspedes era menor e não caberia, com o conforto espacial que eu preciso para ser feliz, a minha estação de trabalho. Só me restava levar, quando nada, a minha mesa para o quarto. Não levaria, porém, estante de livros e nem de caixas com papelaria, contas, material de decor de festas como fitas botões e coisas que tais; estas sim, poderiam ser acomodadas no quarto de hóspedes. Apenas a minha mesa para o notebook, agenda e papéis de hoje ficariam no quarto. E assim o fiz, não sem ter hesitado muito.

Essa mudança aconteceu há dois meses e eu tenho a sensação de que de lá para cá a qualidade do meu sono caiu. Por mais que eu desligue e feche o computador, ele está ali, um símbolo de todas as pendências e excessos de informação do mundo lá fora, que não deveriam habitar o meu quarto, e que não habitavam há muito. Além das contas a pagar no escaninho, pendrives, hd externo, pentes de memória, i-token, cabos, e todo esse arsenal eletrônico de coisinhas que juntam pó e quebram o encanto da cortina esvoaçante do descanso.

Alguma coisa está fora da ordem.

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