Balada vegan

17 de setembro de 2012 § 18 Comentários

Bento anda cabreiro de comer bicho. Quer sabe o que é aquilo, que bicho é aquele, como ele foi morto, porque foi morto pra gente comer, que parte do bicho é aquela, e como veio parar ali no seu prato. Não é todo dia, e não acontece com peixe, mas carne vermelha ele tem afastado para o cantinho do prato.

Eu não me vejo vegan porque preciso de queijo, leite de vaca, ovo, manteiga e peixe pra ser feliz, mas sou MEGA simpatizante e entusiasta. Estava super afins de conhecer a Cooperativa Rango Vegan faz tempo, e quando recebi o convite para a Noite da Pizza – que abriu os trabalhos para a mobilização em defesa dos animais no próximo dia 22, em parceria com o articulador do movimento aqui em Salvador, o Márcio Lupi – pensei: a hora é essa. Aproveito para conhecer a cooperativa e apresento o universo vegan para Bê.

Olha, eu adorei, viu? É tudo muito simples: um casarão na Rua do Passo (Pelourinho, quase Santo Antônio), daqueles compridões que tem fundo com vista para o mar do Comércio, do Porto, da Alfândega; luz baixa, tranquilidade, mesas e cadeiras plásticas forradinhas, tudo muito limpo e caprichado nos detalhes – como os grafites de Limpo na varanda de fundo e o banheiro carinhosamente arranjado – azeite aromatizado sobre a mesa, o cardápio de sucos muito simples e fofo em papel, o fardamento em preto em branco com peças personalizadas mas variáveis de um cooperativado para outro, mas principalmente, a comida e a cordialidade de quem ama servir e acredita naquilo que está fazendo. Isso é muito claro na postura de todos eles, no primor do molho de tomates e da massa da pizza, na honestidade dos ingredientes e dos preços, enfim, tudo certo. O esquema era R$15,00 para comer o quanto se quisesse de pizza, das 19h às 23h, com bebida por fora. Desfilaram pelo salão e pelos nossos pratos pizzas de tofupiry, marguerita, palmito, fazendinhas com legumes diversos, berinjela, napolitanas, e coisas que tais, fartamente irrigadas com azeite de oliva aromatizado com alho, alecrim e pimenta.

Lá pelas tantas pizzas, surge a pequena Duda oferecendo musses de fruta de sobremesa, que arrancou suspiros e fez brilhar os olhinhos de Bento. Não as musses, se é que me entendem. Tanto que foi questão de minutos, para eles mesmos se aproximarem e começaram a brincar como “velhos” amigos. Bento voltou para a casa perguntando quando voltaríamos para ele brincar de novo com a Duda, se não seria possível que eu e sua mãe ficássemos amigas, para que pudessem se frequentar, enfim… mas a Duda é mesmo um encanto, e eu adoraria uma pequena nora vegan. =)

Nas fotos (fuleiras de celular, foi mal), detalhe da varanda de fundo, onde ficamos; do salão antes de lotar (com fila de espera); pizza de tomates com tofupiry (feito por eles) e rúcula; Bento na expectativa, com grafite de Limpo na retaguarda; a pequena Duda; Márcio Lupi fazendo um som (bem legal, inclusive, de hits de música brasileira, algum Beatles e coisas que tais); o estacionamento de bicicletas (quem foi de bike pagou R$12); e principalmente, parte da equipe astral e super competente da cooperativa Rango Vegan: Nana, Tulio, Carol, Luciana e Manoel; tem também o João Paulo, que estava segurando as pontas lá na recepção e não saiu na foto!

A Rango Vegan funciona de segunda a sexta para almoço, na Rua do Passo, 62, Pelourinho. Eles fornecem marmitas delivery, ministram oficinas, e você pode saber tudo sobre eles aqui.

Super recomendo!

§ 18 Respostas para Balada vegan

  • Milla disse:

    Puxa Katita, é agora que morro de amor por você!!!
    Desde que comecei a estudar a Espiritualidade dos Animais eu parei de comer carne, mas ainda consumo leite, seus derivados e ovos. Estou em um processo para me tornar Vegan, mas está bem difícil!
    Sempre que vejo suas receitas eu penso, puxa, mas em tudo vai um tantinho de carne… Tento adaptá-las, uma vez que a gente não deixa de gostar de carne, apenas opta por um consumo mais consciente.
    Quanto às crianças, elas estão cada vez mais se questionando e nos questionando em relação ao consumo da carne. São os novos tempos!
    Acho muito válido a maneira como você conduz o Bê e muito legal leva-lo para conhecer a culinária Vegan. Informação é tudo!

    Beijos de carinho,

    Milla

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  • Eliana disse:

    Que delícia de lugar…só aqui na vontade!!!! Boa sorte pra eles, merecem…que continuem mantendo o ritmo e o estilo e a qualidade!

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  • Êi adoramos seu texto, mas meu recado aqui vai para o Sr. Bento!

    Avisa pra ele que o Pai de Duda pode ser amigo da mãe dele e que eles podem e devem ser ver mais vezes.
    Só que tem que avisar pra ele e pra Mãe dele também, que o pai de Duda é loucamente apaixonado por ela e não gostou nada disso aqui:
    “e eu adoraria uma pequena nora vegan. =)”
    (Brincadeirinha)

    Se ele jurar não tentar nada, eu deixo!
    😛

    Vamos nos contactar pra juntar os dois!
    Xêru!

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    • Katita disse:

      Vocês, pais de meninas lindas, quando modernos e vegans de alargador, são muito caretas e possessivos. =)
      Amor inocente… e depois, Bento é mó genro massa, tá pensando?
      Eu vi que você vai na concentração em defesa dos animais no sábado. Vai levar a Duda? Bento vai amar!
      =)
      Beijo,
      K.

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  • suzana disse:

    Ah, que texto legal! E lembrar da Rango, aquele lugar lindo, um ambiente tão aconchegante, pessoas tão carinhosas!
    Boa sorte em seus processos, o importante é questionar… de automáticos já bastam tantos robôs!
    Abraços

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  • Erica disse:

    Katita, agora mesmo que eu morro de amor por vcs… Sou vegetariana (como queijo) e dou mó apoio p vcs, viu? Gracinha Bento já tá assim!
    A culinaria vegetariana é riquissima. Esquece que vegetariano só come salada com carne de soja e vai fundo nos hamburgueres de lentilha, bolinhos de grao de bico, hamburgueres de casca de banana (pois é, gata! eles existem!) que vcs vão adorar. Podemos trocar algumas receitinhas, ok?
    Mil bjs

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  • chayennemichelly disse:

    Adorei esse post! A algum tempo, e talvez isso venha com a idade, de querer escolher melhor o que comemos, o que colocamos dentro do nosso corpo, tenho feito algumas escolhas e tem dado certo! Mas devo admitir que ao contrário do pensamento lindo do Bento, dos animais serem nosso alimento, no meu caso carne já não me faz tão bem, me pesa e estava a procurar de uma alimentação mais limpa! Pouca falta sinto! Mas como sim, de vez em quando, quando tenho vontade. Laticínios aboli há alguns anos, mas por morar aqui nos EUA acho mais simples encontrar substitutos fáceis. Tem uma rede muito bacana de supermercados chamada Wholesfood onde tudo é orgânico, natural, sustentável etc e eles tem um Buffet muito bom e variado, padaria, etc. E todos os produtos que você possa imaginar, green! Beijos !

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  • Larissa disse:

    Katita,

    Legal o seu post! Há uns tempos atrás, eu comecei uma reflexão sobre este assunto, que me levou a leituras, vídeos (quando só estava precisando de um empurrãozinho, porque são muito fortes) e à decisão de parar de comer carne. Foi mais fácil (adaptação pessoal) e díficil (convivência com os demais, eventos sociais) do que imaginei. Não cortei os derivados de leite, ovos e comia peixe raramente, até ficar grávida e sentir vontade novamente de comer carne. Hoje, 9 meses depois do nascimento do meu filho, me pego com os mesmos pensamentos e sentimentos que me fizeram parar de comer carne…acho que daqui a pouco, volto a ser vegetariana. Vegan, não tenho vontade não…

    Sim, quanto ao Rango Vegan, eu fiquei suuuper empolgada quando descobri que podia pedir um ranguinho vegetariano em casa e igualmente decepcionada com a marmitinha que chegou aqui…achei a comida muito insossa, não achei legal não. Uma pena porque em Salvador é a única opção que tenho conhecimento…mas um dia ainda irei experimentar a pizza de lá!

    Fico feliz quando uma criança tem a atitude de Bento….ainda mais assim, tão espontânea e natural.

    beijo

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    • Katita disse:

      Larissa, tem esse negócio de fase, né? Não dá pra fechar nada, porque às vezes as necessidades do corpo atropelam ideologias.

      Mas que pena que a tua experiência com as marmitas não tenha sido bacana! As pessoas que comem lá tem ficado tão satisfeitas! Você deu esse feedback a eles?

      As pizzas estavam incríveis, sorte minha! =)

      Eu também fico super feliz com esses questionamentos de Bê, mas ele não está comendo super legal ainda; tem me enrolado muito no quesito frutas e legumes… tomara que o teu filho encontre a luz verde!!!!!!

      =)

      Beijo, querida.
      K.

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  • Pati Sato disse:

    E a vontade de mudar para Salvador só aumenta, nem preciso dizer que não nada disso aqui, né! beijos

    Pati

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  • lili disse:

    Comecei a questionar o hábito de comer carne vermelha com uns 7 anos. Como até hoje,mas nunca consegui perder uma certa repugnância.Comodismo…

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  • Tania disse:

    Katita,

    tá chegando aí uma geração das mais conscientes. Minhas filhas (10 e 8 anos) também estão se recusando a comer carne de todos os tipos. O discurso delas é assim: se amamos tanto nossos animais(domésticos) como podemos comer outro animal? Tentei explicar que os animais que consuminmos foram criados para o abate, mas como eu mesma não estava convicta do que estava dizendo, isto não fez o menor sentido para elas.

    Desde que nasci o cardápio diário era escolhido iniciando pela carne e, dependendo dela, escolhia-se os acompanhamentos. Tive que repensar todos os costumes lá de casa e agora até uma horta eu tenho. E olha, lentamente não estamos mais sentindo falta de carne e ela até pesa no estômago quando comemos, no máxima duas vezes na semana (porque meu marido sente falta). Não fazemos mais churrasco no domingo (faço massa), não coloco mais caldo de carne ou frango nas sopas(só de legumes), não uso mais bacon….e nossa saúde está cada vez melhor. Só tomo o cuidado para incluir outras proteínas na nossa alimentação. Ainda bem que elas “ainda” não implicaram com o leite e os ovos…rs

    beijos

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    • Katita disse:

      Tania, me identifiquei super com o seu comentário. Também eu não não me sinto convicta do que digo para Bê sobre o abate; também eu cresci ao redor duma mesa cuja vedete era a carne; também eu estou vivendo um processo de mudanças, questionamentos e escolhas melhores.

      Tá tudo certo e tudo lindo.

      =)

      Beijo enorme cheio de esperança num mundo mais ético e verde!
      K.

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