Jennifer Tibbaut, uma mulher do cacau

22 de agosto de 2012 § 21 Comentários

“No decorrer das minhas mudanças sempre fui viver em lugares mais afastados da “civilização”, não suporto mais poluição, barulhos, tráfego, fila de espera, consumismo imoderado…aqui no meio da mata estou feliz!”

Ela é argentina com nacionalidade belga, restauradora, que depois de ter morado na Itália, Bruxelas e Londres, casou com um ex-hippie, descobriu o mundo orgânico e hoje é feliz no mato em sua fazenda no sul da Bahia onde cultiva cacau (que ela associou desde a primeira vez que viu, ao Arlequim, um personagem da comedia dell’art), palmito, café, cupuaçu, cravo, pimenta-do-reino, açaí, seringa, citros, entre outros; cria gado, galinha, ovelha, mico, papagaio, arara, um veado, e Pirulito, um filhote de tamanduá a ela confiado pelo IBAMA. Adora helicônias e seu mais novo projeto é cultivar baunilha.

Eu saquei de cara que o mundo do cacau era muito masculino, e quando bati o olho na Jennifer, no Salon du Chocolat, senti que ela era uma mulher especial, daquelas que a gente gosta e se identifica por aqui, apaixonada pelo seu trabalho, e que certamente tinha muito o que contar.

Neste bate-papo com o Pitéu (longo, pois impossível de editar, tamanha a sua importância), ela fala de sua trajetória pessoal, seu processo de adaptação aqui, descreve um pouco do nosso país pelos seus olhos, fala de consciência ecológica, sobre o que buscam os estrangeiros que abandonam as suas vidas e pátrias para refugiarem-se em nossas matas, sobre o cacau baiano, e sobre o seu trabalho junto à Cooperativa de Produtores Orgânicos do Sul da Bahia, carinhosamente conhecida como Cooperativa Cabruca. Aliás, é ela quem vai explicar, afinal, o que vem a ser Cabruca, o nome da nossa novela!

Destaco em negrito trechos poéticos e importantes.

K: Foi o cacau que te trouxe para o Brasil? Como e por que veio parar aqui? Em que circunstâncias? Você já tinha algum vínculo com o cacau antes de vir morar aqui? Qual a sua relação com o cacau?

JT: Eu não tinha nenhuma relação direta com o cacau, a não ser ter sido acostumada desde a infância a comer chocolate. A Bélgica é conhecida pelo seu chocolate de boa qualidade e bem diversificado: pralines, truffes, chocolates recheados, amargo, meio amargo, ao leite…o chocolate faz parte da nossa cultura mesmo não sendo um país produtor de cacau. Tambem morei por vinte anos na Itália (outro país onde o chocolate está bem presente na vida das pessoas – ovos e coelhos de Páscoa ou Papai Noel de chocolate, gianduiotto, baci perugina….)

Aí eu encontrei o Roland com quem me casei há pouco tempo. Roland fez uma viagem há mais de quarenta anos atrás para a América do sul com alguns amigos, todos hippies de mochila e cabeludos. O Roland apaixonou-se pelo povo brasileiro e decidiu que um dia ele viria morar aqui.


(Daqui vejo arlequins)

Nasci na Argentina e a minha irmã Diana nasceu no Rio de Janeiro. As minhas primeiras lembranças são do Pão de Açúcar, da Baia de Guanabara, o papagaio que tínhamos….assim quando o Roland me perguntou se eu aceitava vir morar aqui, eu aceitei imediatamente. Sempre morei em cidades grandes como Bruxelas e Londres. Depois dos meus 20 anos de idade, a cada mudança, eu fui morar em cidades menores e mais próximas do campo. Quando encontrei o Roland, em 1995, fomos morar num município de 800 habitantes onde não tinha energia elétrica. O Roland já trabalhava com agricultura orgânica naquela época. Ele tinha deixado o trabalho de arquiteto para se tornar agricultor. Junto a ele comecei a mexer com agricultura, com o mundo orgânico e a filosofia do Rudolf Steiner. Durante os anos italianos eu o ajudei na colheita das azeitonas e no trabalho da prensa pra produzir o nosso azeite de oliva orgânico. Sempre adorei as oliveiras, sempre as achei majestosas e quando vi pela primeira vez uma árvore de cacau me fez pensar num famoso herói da comedia dell´arte italiana: Arlequin, colorido e brincalhão. Com as suas lindas manchas alegres no meio do verde da mata … o cacau é o Arlequin da floresta.

K: Como foi o seu processo de adaptação no sul da Bahia? Quais foram as suas impressões ao chegar?

JT: Eu moro na fazenda, no meio da mata. Não tinha energia, não tinha água potável, não tinha estradas quando chegamos ao nosso novo lar. Foi muito animador e desafiador iniciar tudo do (quase) nada. Adaptei-me muito bem, eu adorava tudo o que eu descobria. A natureza exuberante e luxuriante, a fauna tão diversa pela qual me apaixonei. As pessoas muito gentis, mesmo tendo alguns problemas de comunicação. Na nossa região de Una, os cultivos de cacau e de seringa são, com o gado, os principais recursos. É claro que era bem diferente do que eu conhecia na Europa. Nada de cinema, poucas livrarias, nenhum museu ou evento cultural, a não serem os carros de som. Eu estava e continuo sendo muito feliz pela minha escolha de vida.

K: Como surgiu a Cooperativa Cabruca e o que ela significa hoje para você e para a produção do cacau baiano?

JT: A Cooperativa de Produtores Orgânicos do Sul da Bahia foi fundada em 2000 e recebeu o nome fantasia de Cabruca, por ter adotado o antigo sistema de produção cabruca, nome que vem do antigo e popular termo “cabrocar”, que significa abrir espaço na mata para plantar o cacau preservando as grandes árvores para o seu sombreamento, sem desmatamento. Esse manejo permite preservar a fauna e a flora da Mata Atlântica, sustentável por excelência.. A cooperativa foi criada para unificar os produtores orgânicos, e também os que usavam produtos químicos, mas estavam dispostos a se tornarem produtores orgânicos para poderem procurar no exterior certos mercados sensíveis a estes produtos (já que no Brasil ainda não existia mercado orgânico para o cacau). Um produtor sozinho dificilmente poderia atender a demanda no mercado externo. Unidos conseguimos atender melhor.

O que significou para a Cooperativa Cabruca atender ao mercado europeu: tivemos que modificar o nosso trabalho com o cacau, especialmente na hora da fermentação, e também fazer uma colheita diferenciada, com separação dos frutos doentes dos sadios, processando exclusivamente os sadios e maduros, para obter um cacau de qualidade superior.

Um dos papéis da cooperativa foi incentivar dias de campo para aprimorar o conhecimento do processo todo; também a poda, para controlar a vassoura de bruxa; enxertia, para os que estavam interessados; diversificação nas plantações pra evitar monoculturas; troca de idéias e de informações entre os cooperados. Tudo isso permitiu que nestes anos a Cooperativa Cabruca conseguisse produzir um cacau de qualidade, com preço diferenciado, capaz de manter a produção das fazendas.

A imagem do cacau baiano ainda é a de um cacau que serve somente para blend, mas esta imagem está sendo modificada aos poucos. O cacau baiano de boa qualidade pode ser usado diretamente para fazer um chocolate de luxo.

Em 2008 a cooperativa iniciou uma parceria com uma firma suíça Felchlin que faz a massa de cacau que é vendida para Laederach, que foi o primeiro chocolateiro a colocar o nome do produtor Cabruca num produto final.

K: Como a Cooperativa funciona na prática? Quem a preside? Que benefícios ela traz para os cooperativados, nativos e para o cacau baiano?

JT: Pode se inscrever qualquer produtor de cacau que deseja trabalhar com agricultura orgânica. Cada ano tem um controle feito pelo Instituto Bio Dinâmico (IBD) e um controle interno para avaliar o manejo das fazendas. Somos 37 cooperados. O Marc Nuscheler é o presidente da Cabruca, e junto a um conselho administrativo e um conselho fiscal, eles administram a cooperativa. A cooperativa nos fortalece, somos vendedores que podemos atender a demandas de maior porte.

No momento da entrega de cacau, o cooperado tem que passar por uma rigorosa avaliação do seu produto, que se não for aceito será vendido no mercado local.

A Cooperativa Cabruca conseguiu se tornar referência de qualidade despertando o interesse pelo cacau orgânico aqui na região do sul da Bahia, aumentando sobremaneira o número de produtores controlados orgânicos. Esta filosofia ainda não se espalhou, mas as pessoas estão bem mais sensíveis um discurso de proteção da natureza, produtos de agricultura sem agrotóxicos, e dizem não a produtos feitos através de trabalho infantil.


(colheita manual com a ajuda de burros)

K: Você acha que os nativos tem consciência ecológica? A preocupação com sustentabilidade é algo que você já encontrou quando chegou ou foi uma semente plantada? Quem plantou essa semente?

JT: Com certeza têm algumas pessoas que tem consciência ecológica, poucos demais ainda.

Sabe, a Cabruca já existia quando nós chegamos, então foi natural nos associarmos, já que o Roland, meu esposo, trabalhava com agricultura orgânica desde 1986. A cada ano vemos pessoas interessadas no processo de preservação da natureza, no manejo sustentável, no respeito às leis trabalhistas.

O movimento, lá na Europa vem do Rudolf Steiner, que desenvolveu na década de 40 a filosofia do bio dinâmico. Mas também não podemos nos esquecer dos índios brasileiros que já aplicavam um manejo sustentável dos próprios recursos. Eles, de certa forma, foram os precursores aqui no Brasil.

K: É impressão minha, ou o mundo do cacau é muito masculino? Há alguma explicação para isso?

JT: Não sei lhe responder, vejo também na cooperativa mais homens do que mulheres proprietários de fazenda. Somos 5 mulheres, uma suíça, uma holandesa, uma chinesa, uma brasileira, e eu. Será que os trabalhadores não gostam de atender às ordens de mulheres?

Se você entende o mundo masculino no trabalho de campo, é claramente um trabalho pesado que uma mulher não consegue fazer. As mulheres geralmente ajudam na quebra do cacau ( eu também certas vezes)

K: O que explica tantos cooperativados estrangeiros, tantas fazendas pertencentes a estrangeiros na região? Podemos dizer que o cultivo do cacau no sul da Bahia é um negócio lucrativo que vem atraindo estrangeiros para cá?

JT: Não, o trabalho do cacau não é lucrativo.. Só para lhe dar uma idéia, há 11 anos atrás quando nós chegamos, o valor da @ de cacau era 75 reais no mercado local e o salário mínimo era de 180 reais; hoje o valor da @ de cacau permanece praticamente o mesmo (com poucas flutuações), e o salário mínimo está 4 vezes maior. Não entendo porque tudo aumenta, mas não o valor de uma matéria prima como o cacau.

Não e possível modificar muito o trabalho do cultivo do cacau já que ele é, e sempre será um trabalho manual aqui na nossa região, devido à topografia. Pode se abrir estradas para ir buscar o cacau ou levar os adubos (muito ainda é feito com auxilio dos burros), fazer trilhas nas áreas de plantação para facilitar o trabalho dos funcionários, mas não muito mais do que isso. Quem tem fazenda de cacau precisa diversificar os produtos para poder se manter. Seringa, açaí, palmito, café, banana.

Por que tantos estrangeiros? Eu acho que não tem muito a ver com o cacau, mas sim com o espaço, a natureza, a liberdade que ainda existe aqui. O que atrai o estrangeiro aqui na Bahia é a região por toda a sua beleza, pela alegria das pessoas, pela impressão que seja tudo simples, embora neste último ponto a minha visão esteja um pouco diferente, hoje! Como agricultores, os europeus, são acostumados a trabalhar diferente dos coronéis de um tempo que somente vinham às fazendas para receber o lucro das vendas. Os tempos estão diferentes agora.

A produtividade do cacau diminuiu, provavelmente por uma forte diminuição da pluviosidade e da insurgência da vassoura de bruxa. Muitos fazendeiros naquela época abandonaram as fazendas deixando 180.000 funcionários sem trabalho. Quem vem morar aqui e comprar pequenas fazendas de 100, 200 hectares não vem para se tornar rico, mas pelo que eu vejo dos outros cooperados estrangeiros, é mais qualidade de vida do que riqueza que viemos buscar aqui. Filosofia de vida diferente. Eu, pessoalmente, nunca mais poderia voltar a morar na Europa. A cada vez que vou pra lá, estou feliz em ver os amigos, em aproveitar das coisas boas da Europa, mas morro de saudade daqui.

K: Qual a importância do cacau baiano no mercado mundial? Quais são as expectativas futuras do nosso cacau?

JT: Importância do cacau baiano no mercado mundial: quase inexistente. Por isso, eventos como o Salon du Chocolat tem sido tão importantes. Se tiver uma valorização do cacau brasileiro no Brasil mesmo, teremos um futuro para o nosso cacau. Tem poucas processadoras como a IBC, que acreditam em cacau brasileiro de qualidade. Infelizmente poucos chocolateiros brasileiros se orgulham em usar ou ressaltam o uso do cacau brasileiro!!!

K: Desde o Salon, experimentei alguns excelentes chocolates feitos por alguns grandes chocolateiros internacionais, com cacau baiano, no entanto, é quase impossível adquirir estes chocolates no Brasil. O que explica isso e o que pode ser feito, em sua opinião, para reverter este quadro? O que falta para que o Brasil possa processar o seu próprio cacau e produzir excelentes chocolates, para exportá-los ao invés de importar chocolates feitos com o nosso próprio cacau?

JT: Pelo que eu vi, nós éramos quase os únicos a ter chocolate feito no exterior com cacau da Bahia. Complicado importar devido aos valores mais altos de custos de produção europeu, frete, taxas governamentais de importação, alfândega….mas existe algumas lojas que vendem chocolates feitos com cacau Cabruca ou com cacau baiano: o CHoKolaH da Claudia Schultz, na Perini, se não estou enganada, um produto 100% brasileiro (cacau Cabruca), e o chocolate Bahia da firma Stella, feito na Suíça com cacau cabruca. Não devemos nos esquecer do chocolate Ama do Diego Badaró e o tablete do Jaó Tavares vendido em Ilhéus na loja Cacau do Céu.

Eu acho que nos últimos cinco anos a tendência está se revertendo, as pessoas começam a acreditar na qualidade do cacau brasileiro e na qualidade dos produtos feitos aqui. Tudo isso é também uma questão de paladar. Os que gostam do chocolate Garoto e os quem gostam de um chocolate com maior teor de cacau do que açúcar. Provavelmente ainda falta um certo know how para se chegar à excelência no chocolate brasileiro. E também uma questão de custos de implantação da fábrica processadora, os custos dos maquinários importados (de melhor qualidade do que os feitos aqui no Brasil). Os europeus fazem chocolate de qualidade há 150 anos, o Brasil esta iniciando.


(amiga dos bichos – e do IBAMA!)

K: Me fale um pouco sobre a sua vida na fazenda? O que mais vocês produzem por lá e para quem vendem os seus insumos? Quem são os seus clientes diretos?

JT: Geralmente acordo às 6, tudo vai depender do Pirulito, o filhote de tamanduá que me foi entregue pelo IBAMA. Sou fiel depositária de alguns animais: micos, papagaios, araras, veado… por cinco anos eu cuidei de muitos animais. Cuido também do meu grande jardim, adoro helicônias.
Temos uma produção diversificada: café, seringa, palmito de pupunha, frutos de açaí, cupuaçu, cravo, pimenta do reino (são as principais), algumas cabeça de gado, galinhas, ovelhas, citros, horta( somente para consumo próprio). Novo projeto: Baunilha.

Tem um cooperado da Cabruca que instalou uma fabrica de polpa. Ele está no processo para que a fábrica tenha o selo IBD orgânico. Vendemos para ele os frutos de açaí e cupuaçu. O resto é vendido principalmente no mercado local. Nem sempre conseguimos encontrar mercado para produtos orgânicos. Por falta de quantidade, não temos um container de cravo, por exemplo. Assim não podemos atender mercados mais importantes. Ainda no Brasil o mercado orgânico não está muito desenvolvido, pelo menos aqui na Bahia. Às vezes vendemos pequenas quantidades de especiarias para o sul e sudeste.


(Pirulito, o filhote de tamanduá)

K: Valeu a pena ter vindo para a Bahia? Do que tem saudade, do que sente falta?

JT: Adoro a Bahia, mesmo às vezes achando complicadíssimo trabalhar do jeito baiano, no tempo baiano, devagar, devagarzinho… parado.

Sinceramente, não sinto falta de quase nada. Certas guloseimas (queijos tipo brie ou parmigiano, massa italiana) estão chegando também em Ilhéus; livros eu posso encontrar pela internet (indispensável para se viver afastado de tudo como vivemos…hehehe). No decorrer das minhas mudanças sempre fui viver em lugares mais afastados da “civilização”, não suporto mais poluição, barulhos, tráfego, fila de espera, consumismo imoderado ….aqui no meio da mata estou feliz!


K: Últimas considerações?

JT: O cooperativismo foi criado nas montanhas (Alpes), por volta de 1500, para que os agricultores pudessem ajudarar uns aos outros antes do inverno. Ainda é uma experiência nova para os baianos. Provavelmente durante o período assustador da inflação e da ditadura, o pensamento era cada um por si.

Eu acredito que os fazendeiros tiveram a vida dura, sem muito apoio do governo, apenas com a CEPLAC oferecendo soluções para controlar a vassoura de bruxa, uma praga desastrosa. Eu admiro os fazendeiros baianos que não desistiram durante aquele período terrível da sua expansão. Eles tiveram muita coragem! Com certeza você sabe que antes da vassoura de bruxa o Brasil era o primeiro produtor mundial de cacau e hoje chega apenas a 3% da produção mundial.

***

Olha Jennifer, eu nem sei como te agradecer. Foi um prazer enorme te conhecer. Me identifiquei muito contigo e mal posso esperar pelo meu momento de tomar também este rumo e poder viver no mato.

E você acabou de acompanhar o capítulo #10 de Cabruca, uma novela de chocolate, no seu canal Pitéu.

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