Meus botecos circuito Barra

8 de agosto de 2012 § 20 Comentários


(do lado esquerdo, o Galeto Show)

Os meus botecos preferidos da Barra, ficam coincidentemente na mesma rua, a poucos metros um do outro: o Boteco Lupetta, o Galeto Show e o japa Ponto 3, todos na Marquês de Leão, próximos ao Farol da Barra. Mas o que é que cada um deles tem de bom pra mim?

BOTECO LUPETTA

Cada vez mais eu dou valor aos restaurantes e bares sem frescura, cujo compromisso único é oferecer uma ótima, excelente comida, a preço justo, num ambiente confortável, com atendimento cordial, e limpo, muito limpo. Isso para mim é o céu. Dispenso luxo, projetos arquitetônicos e decorativos, obras de arte, guardanapos de linho (não que eu não goste dessas coisas), mas prefiro pagar pela comida.

Eu não conheço o Alessandro Narduzzi a fundo, só de oi, mas adoro este perfil que ele escolheu para o seu último negócio, o Boteco Lupetta, uma versão boteco do seu restaurante anterior, o La Lupa, que começou no Pelourinho (onde permaneceu por bons anos), mudou-se e findou-se na Barra, num curto espaço de tempo. Eu não sei qual foi o caso do La Lupa, e nem quero saber, só sei que ele parecia ter dado muito certo; a impressão que eu tinha como cliente (do Pelourinho, não cheguei a conhecer o charmoso endereço da Ladeira da Barra) era de que o simpático chef italiano havia caído nas graças dos descolados com sua honestíssima comida, e aquilo me parecia muito justo. Talvez os motivos que justifiquem a minha desistência em abrir um restaurante sejam os mesmos que tenham justificado a opção por uma versão simplificada que o Alessando adotou para o seu estabelecimento. No Boteco Lupetta o papo é reto: poucas mesas entre a calçada e o corredor, atendimento okay, um cardápio INCRÍVEL, variado e italianíssimo de bruschetas, insalatas, carnes, frutos do mar, pratos do dia e pizzas de excelente massa artesanal, molho de tomate impecável e produtos de primeríssima qualidade, e o que é melhor, tudo a preços justíssimos, já que ele não banca nenhuma estrutura glam e não paga taxa para administradoras de cartão, o que eu acho ótimo, portanto leve seu dindim, que é jogo.


(Panzone Gramute, minha preferida)

É muito bom ver o Alessandro trabalhando em sua cozinha por trás do balcão, preparando sua comida mais que honesta pra gente; é muito divertido ver o Alessandro chegando com uma bicicleta especial com espaço de banner divulgando o seu próprio estabelecimento; é admirável a sua pegada empreendedora, que estabeleceu uma parceria o Galeto Show, inserindo no seu próprio cardápio o Galeto Alla Primo, que vem do seu vizinho de porta, que falo abaixo.


(foto: liciafabio.uol.com.br)

Enfim, eu acho o Alessandro (foto) e o Boteco Lupetta o máximo, e super recomendo.

GALETO SHOW

Há mais de dois anos recebi um panfleto na rua que me deixou bolada. Foi esse aqui em cima. Achei pesado, indigesto, guardei o flyer para fazer um post, e jamais imaginei que um dia fosse ser capaz de comer aqueles pobres pintos, a não ser desavisada. E foi bem o que aconteceu.

Uma amiga me arrastou pelo braço dizendo que eu precisava comer o melhor galeto da cidade, que era coisa de louco, esquema boteco, na calçada, tomando vento da orla na cara. Fui, né? Ô! Como é que não se atende a um chamado desses? Sentamos na calçada e eu já fiquei contrariada porque só tinha chopp Schin (e isso é lá chopp que se apresente?), mas fui salva pela long neck Devassa. Era hora do almoço, deixei a minha amiga me conduzir e ela pediu o básico: um galeto na brasa, com arroz, feijãozinho tropeiro e uma saladinha vinagrete. Quando o rango chegou eu senti firmeza. Primeiro porque estava fumegante, e eu adoro comida fumegante; saquei que o arroz era fresquinho e trabalhado no alho, que a vinagrete estava fresquinha também, o feijão lindo, úmido, sem excesso de farinha, e o cheiro e a cor do frango… alucinantes. Enchi a boca d’agua. E depois, gostei do sousplat, dos pratos, achei o serviço jeitosinho para um boteco de calçada.

Cara, o rango estava muito bom. Quis saber quem era o cozinheiro na hora e parti logo para a abordagem do preparo daquele galeto – crocante por fora e macio, aromático e MUITO bem temperado por dentro – que ele, muito fofo, abriu como quem abre o coração: era uma marinada com vinho e todos aqueles temperos que a gente tá careca de saber, tipo alho, cebola, ervas, limão, sal, pimenta. Mas tem a alquimia do cozinheiro, né? Este é o segredo, que mesmo que ele tentasse, não conseguiria explicar.

Só quando a conta chegou (R$22,00 o galeto com duas guarnições, que dá para dois) é que eu juntei lé com cré. Galeto Show, Galeto Show… Jesus! Não seria aquele do… panfleto? Dos pintos!? Misericórdia! (glup!) Engoli em seco, era tarde demais.

Pois é amiguinhos, melhor galeto da Baêa.

Virei freguesa, e Bento também, especialmente depois que descobriu que o Gaúcho, o garçon gracinha, sabia tudo sobre Indiana Jones. Saquei que o Galeto Show pertence ao mesmo dono de tradicional Habbeas Copos, do outro lado da rua, tanto é que a bebida vem de lá (adoro aquilo do garçon atravessando a rua equilibrando bandeja de chopp), e do lado de cá fica apenas a cozinha (de vidro) dos galetos.

Bom, vai ficar faltando o boteco japa Ponto 3, porque eu apaguei a pasta de fotos, sem querer. Mas segura aí, que da próxima vez que eu for lá não vou esquecer de vocês.

§ 20 Respostas para Meus botecos circuito Barra

  • Lívia disse:

    Eu não acredito que estive na Bahia (como meu pai se referia a Salvador, gracinha…) semana passada, e não li seu post antes de viajar. Fiquei na saudade. Agora, só dá próxima vez – irei com vontade !

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  • Mariana disse:

    oi katita, sorry pela confusão! eu me referi ao panzone em si, mais que ao recheio… é q o povo da Cia. da Pizza jura de pé junto que a criação do panzone é deles, dá um saque no site: http://www.companhiadapizza.com.br/, tem até uns quadrinhos ilustrando a história….
    Enfim, só pra gente ficar ligada e não ser enganada pelas estratégias de mkt q rolam por aí, né?
    bjooo

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  • Érica disse:

    Ai jesus, estou completamente obcecada por este galeto! rs
    Preciso ir lá!

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  • Carla (do Baianices) disse:

    Perai que eu vou ver se encontro passagem agora, viu? Te encontro ai no sabado a tarde.
    Afe! Katita, coitadas das suas leitoras expatriadas, quando a gente pensa que ta muito feliz comendo iguarias estrangeiras voce vem e esfrega nosso nariz nos cheiros, sabores e lembrancas que a gente so encontra na Bahia. E aqui eu totalmente ignoro o fato do Lupetta ser italiano, se ele se mistura com o cheiro do mar da Bahia, entao os sabores nao podem ser encontrados nem em Napoli. Meu pai, eu preciso de um voo agora! Hahaha!

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  • Letícia Lê disse:

    Kakakakakaka!!! Que dó, que dó, que dóóóó dos pintinhoooossss!!!
    Cheguei até a ouvir um anúncio volante, desses de caixa de som na bike, apregoando: “Galeto Show! Galeto Show! Na hora da fome, pense em mimmm!!!” (e você torcendo o nariz)…
    Já passei por situação parecida, também. Minha sorte foi ter uma surpresa gratíssima, como a sua.
    Obrigada por compartilhar conosco as experiências. Seus textos, são, invariavelmente, encantadores!

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  • Izabel disse:

    Katita, vou guardar com carinho essas referências, porque, querida, eu necessito ir à salvador nas próximas férias. Eta povo, show de bola. Bjão
    Izabel

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  • Marilene disse:

    Isso é maldade, eu que já não aguento mais de tanta saudades de Salvador me deparo com esse post de botecos dessa cidade que amo….só vc mesmo Katita…e o dia em que eu pisar novamente em solo soteropolitano parto direto para esses botecos…Mas como escreve bem heim comadre…vc coloca sua dose exata de emoção em cada linha, transparente demais!!Beijo enorme!!!!

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  • Andrea disse:

    Sabia que sinto pena…sabe do que?De quem não te conhece…de quem ainda não leu seus textos…bom demais da conta,menina!Não durmo sem te ler…hehehe!É minha última parada da noite…e durmo feliz,depois de dar boas risadas dos termos q vc usa e de todas as sensações q vc sabe passar como ninguém!

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  • Pati Sato disse:

    K, O japa é do bom mesmo, aquele pastel está na minha memória até hoje! Agora gostoso mesmo é esse seu texto, aff como gosto dos seus textos, beijos

    Pati

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  • Mariana disse:

    Oi Katita, me perdoe se eu estiver equivocada, mas o panzone de gramute não é da Cia. da Pizza, no Rio Vermelho? Ou é uma coincidência encontrarmos o mesmo prato no Lupetta? (em tempo, sou fã tb do Lupetta e do Ponto 3, que além do rango delícia e da long neck geladíssima, tem trilha sonora perfeita!) bjo

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    • Katita disse:

      Gramute é um sabor clássico , Mariana, tem nas duas, e em muitas outras pizzarias. Quando você ouvir qualquer coisa do tipo “Gramute, receita exclusiva de fulano”, vá não que é caô.
      =)
      Beijo,
      K.

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  • Danyelle disse:

    Kátia, fiquei com muita vontade desse galeto aí.. hmm.. me lembrou de um frango assado (comprado num domingo) no Rio de Janeiro, o negocio tinha um gostinho tão bom de churrasco, nunca consegui reproduzir aquele frango, sei que é assado na brasa, mas quando faço aqui nunca fica nem parecido, você ja comeu algum assim? tem alguma dica de como pegar o “gosto do churrasco”?

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    • Katita disse:

      Dany, eu imagino que o efeito churrasco a que você se refere seja mesmo proveniente da brasa, agora sobre o sabor, os melhores que eu já comi são o do Jamie (que não é marinado) e este aqui.

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