Chocolate do dia: Läderach

21 de julho de 2012 § 6 Comentários

Não havia stand do chocolate suíço Läderach no Salon du Chocolat, mas ele estava lá, e muito bem representado, na ilha de stands da Cooperativa Cabruca montada com o objetivo de ilustrar toda a sua cadeia produtiva, desde o cultivo aos produtos finais. E entre todas as marcas dos parceiros da Cooperativa plotados no stand, lá estava ele, um dos maiores chocolateiros do mundo, e um completo apaixonado pelo cacau baiano e pelo nosso sistema cabruca de produção, que faz questão de frisar que é o único na suíça a utilizar o cacau cabruca, como quem defende uma nova grife de cacau que desponta. Tanto que no site da marca, em Chocologia, há uma página chamada Cabruca, onde declara esta paixão, exalta o nosso cacau, apresenta os seus produtos feitos com o nosso cacau, explica o sistema cabruca e ainda expõe uma galeria de fotos. Só tem um vacilo: uma trilha sonora de… salsa. Era um samba, Läderach, mas tudo bem, vou te liberar desta vez, tá? Mas só desta vez!

Bem, quando eu cheguei nos stands da Cooperativa Cabruca, já tinha gastado mais do que havia planejado com chocolates, e quando experimentei um pedaço de uma barra dark Läderach chiquérrima com cacau cabruca, perdi o chão, fiquei louca, perguntei quanto era, e custava coisa de 120 pilas. Estava fora de cogitação para mim àquela altura. A minha salvação é que havia caixas com pequenos tabletes avulsos feitos não apenas com cacau cabruca como também cacau de Madagascar e Trinidad. Rá! Estava salva!

A marca é poderosa. Jürg Läderach, pertence à segunda geração da família que criou a sua primeira fábrica em 1962. Hoje são duas fábricas (Suíça e Alemanha), 20 lojas na Suíça, 8 na Alemanha, 1 ponto de venda em Nova York, 1 no Kuwait, 3 na Korea, 2 no Japão e 1 em Taiwan. A pegada do site é bem comercial e agressiva nesse sentido, com certificado de garantia e ênfase no apoio a projetos sustentáveis, como o Cabruca. Também trabalham com linhas sazonais (namorados, páscoa, mães, natal) e presentes de chocolate personalizados.

Mas mesmo sendo grande e produzindo em larga escala seu chocolate tem um carinho, um quê de feito à mão. Mas antes de continuar, parênteses:

(chocolate é que nem vinho, estuda-se para identificar-lhes as notas, cuidados no manuseio e processamento das amêndoas, a qualidade dos ingredientes utilizados… tudo isso é possível identificar para um paladar treinado em chocolate; mas assim como no vinho, há também as sensações subjetivas de quem os experimenta, e quanto mais se experimenta maior vai ficando a nossa sensibilidade, experiência e conhecimento)

Okay, dito isso, quero deixar bem claro que eu não sei quase nada sobre chocolates; essa novela é só o começo de uma saga. Exemplo: comprei 3 tabletes Läderach para degustação, sendo um com 64% de cacau de Madagascar, outro com 68% de cacau de Trinidad, e outro com 70% de cacau cabruca. Não li nada sobre eles e me lancei na degustação solitária e atenta aqui em casa. Quando mordi o de Madagascar me ocorreu um quê de café; quando mordi o de Trinidad, apesar de semelhantes em sua textura e quesito amargo, me ocorreu passas. Ambos de-li-ci-o-sos até aqui, mas sem querer soar bairrista, quando mordi o Cabruca, havia uma nota dissonante, que o distinguia dos demais, e que me julguei incapaz de explicá-la naquele momento. Comi mais um pedaço de cada barra e agora tinha a impressão de que todos tinham gosto de frutas secas e mais alguma coisa que eu não soube distinguir, especialmente no Cabruca, que só depois, quando fui ler a respeito, entendi e finalmente identifiquei o que não conseguira explicar: nota de baunilha, era isso!

Assim… eu chapei o coco com estas amostras de Läderach, mais ainda do que com o inglês Demarquete. Me pareceu mais nobre e selvagem ao mesmo tempo, e o melhor, menos açucarado. Também gosto das barras mais firmes e resistentes à mordida aos cremosos, mais leitosos e amanteigados. Fiquei imaginando o que seriam os outros chocolates que vi no site: chocolate branco com berries, fudge caramel, orange-almond (swiss dark chocolate with sun-ripened orange pieces and roasted almond flakes), corn flakes, cappuccino, chilli-lime, pepper-strawberry, hazelnut, mixed fruit, almonds, entre outros. Isso sem falar dos pralinés (bombons com recheio), das trufas e petit-fours.

Este é o homem por trás da marca.

E este foi o capítulo #5 de Cabruca, uma novela de chocolate, no seu canal Pitéu.

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