Dona Mariquita, um restaurante feito à mão

27 de abril de 2012 § 22 Comentários


(a garçonete mais linda do mundo trabalha no Dona Mariquita e tem um sorriso enorme, repare como tudo está iluminado ao redor)

O que há por trás de um restaurante? Alguém, com uma idéia, uma inspiração, uma aspiração, um sonho, uma coisa. Pois bem, atravessei o salão climatizado do Dona Mariquita – com decor rústica, sem excessos alegóricos, mas apenas sutis referências à cultura regional, algo sofisticado, a depender do seu olhar – e tomei uma mesa no charmoso “quintal”. Depois de 5 minutos instalada ali, fiquei curiosíssima por saber quem estaria por trás daquele resturante todo feito à mão. Certamente uma mulher; certamente uma mulher bacana, caprichosa, que ama o que faz, e que soube agregar e cativar a equipe que me pareceu coesa, comprometida e feliz. Levantei e fui bisbilhotar os detalhes, as luminárias, as vestimentas dos garçons, a cerâmica de Maragojipinho, as cortinas de renda de um branco imaculado, as passadeiras de mesa de palha de buriti… havia uma curadoria de artesanato muito bem feita ali (depois fui saber que trata-se de um projeto do arquiteto Sidney Quintela, muito gato e muito bom no que faz). Absorvidos todos os detalhes, perguntei a uma garçonete quem estava por trás de tudo aquilo, e ela me disse que era a Leila Carreiro, que estava “logo ali, ó”, e já foi buscar a Leila, que veio falar comigo com as bochechas rosadas pelo calor da labuta. Me dei com a Leila na mesma hora, e dois minutos depois ela já me tomava pelas mãos para me mostrar o seu mi-mo-sér-ri-mo café da manhã também regional, na mesma rua, numa casa quase vizinha, o Mungunzá (fotos lááááá no fim do post). Outro encanto, com pegada mais romântica e feminina demais da conta. Não foi surpresa saber que todas aquelas cadeiras em patchwork e objetos decorativos foram feitos pela própria.

Mas voltando ao Dona Mariquita…


(Vince, não te falei que tu tinha saído na foto?)

Bom, a essa altura eu já estava encantada e ainda que a comida não fosse boa – o que sabia impossível, uma vez que fui até lá por conta da indicação da querida jornalista e crítica de gastronomia, Daniela Castro (Revista Muito), em quem confio fortemente; também a Veja Salvador o elegeu por dois anos como melhor restaurante brasileiro da cidade, além de ter sido mencionado como referência de comida brasileira pelo New York Times, entre outros bafões, que eu só fui saber depois – já teria valido a pena ter conhecido aqueles projetos e aquela pessoa deliciosa que é a Leila.

O cardápio é preciso, nada daquelas dezenas de ofertas esquema “tem mais acabou”, manja? Comida do recôncavo, influências indígenas, sertanejas e afro-baianas, das melhores e mais criativas possíveis. Feijoada de frutos do mar, Mariene do Coco – que é um risoto com castanha e bacalhau servido no coco -, quiabada, frigideira de maturi, entre muitas outras delícias. Mas quando eu vi “Arroz-de-hauçá” no cardápio, alguma coisa me disse que aquele povo sabia fazer arroz-de-hauçá lindamente. Não tive dúvida e quando o meu prato de cerâmica chegou, enformado, lindamente decorado, soltando um cheiro inebriante, não teve foto certa, esqueci, desculpa. Cai matando no melhor arroz-de-hauçá que eu já comi na vida, feito com leite de coco fesco e natural, e coco “ralado de costas”! Obrigada, Senhor!, era só o que eu pensava.

Ainda sobre o cardápio, há vários ítens que você pode levar para a casa, tipo farinha da boa, doces regionais, abarás congelados e coisas que tais. Isso sem falar na carta escândalo de cachaças.

O Dona Mariquita é um dos três restaurantes de Salvador que fazem parte da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, uma iniciativa linda, que chega dói o coração, vale a pena visitar este link. Você come uma comida especialmente elaborada e indicada para a ABBL, e leva o prato personalizado de lembrança, memória afetiva e gustativa daquele momento lindo. A opção do Dona Mariquita é o Ninho de Farofa de Maniçoba com Carne de Fumeiro Acebolada, mas como eu passo de maniçoba, e como não acho os pratos da ABBL tão lindos assim para pendurar na parede, lanço mão apenas da memória do gosto daquele prato inesquecível, que eu não vejo a hora de comer de novo.

1 cachaça luxo para abrir os trabalhos + entradinha + 3 Bohemias + 1 arroz-de-hauçá (que é prato único, mas serve dois a depender da fome, da entrada, e da cerveja, que no meu caso, enche por demais a pança) por R$100,00, ou seja, 50 pilas para cada. Eu achei super jogo.


(detalhes do Mungunzá, que estava fechado, porque se estivesse aberto eu ia almoçar café da manhã!)

O Dona Mariquita e o Mungunzá (preciso tomara café lá e experimentar o tal do mingau de banana da terra que a outra fofa, Nadja Vlad, também da Revista Muito, disse que é tudo) ficam na Rua do Meio, no Rio Vermelho. Todas as coordenadas aqui no site da casa.

Se jogue! Vá com fé, “que a fé não costuma falhar”.

§ 22 Respostas para Dona Mariquita, um restaurante feito à mão

  • Leila disse:

    Oi Katita!
    Super obrigada pela força com certeza nosso santo já se deu! Neste segundo semestre o Dona Mariquita tem um monte de novidades! Tipo assim, vamos reabrir a noite e toda sexta teremos o melhor samba de roda do recôncavo, caruru completo de Cosme e Damião, nosso segundo festival de comida de feira isso sem falar nas novidades do cardapio de inverno.

    Beijãooooo e apareça!
    Leila

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  • Katita! Depois de um tempão venho aqui pra dizer que fico felizona de ter servido de elo entre seu paladar e os sabores do Dona Mariquita e, melhor, entre você e Leila. Taí, viu? Duas delícias de pessoas!

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    • Katita disse:

      Pois é, neguinha, saí de lá com a sensação de que nós duas daríamos um bom caldo! Nós três, aliás.
      Mas eu vou tomar aquele café do Mungunzá em nome de Cristo Rex, minha irmã! =)

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  • Marcos Hara disse:

    O Dona Mariquita foi o único restaurante em Salvador que fomos “obrigados” a voltar. Além da comida excepcional, o atendimento pessoalíssimo e um ambiente tudo a ver, ainda tem uma caipirinha de chorar!! O Mungunzá não tivemos o prazer de conhecer, fica para a próxima estadia! Dicas valiosas Katita…show!!

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  • sgeliana disse:

    Jura que vc gastou 100 reais?!?! Sozinha, só vc???? Olha Katita, os preços no Brasil me deixam de cabelo em pé.

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  • Roberta Ferreira disse:

    Katita querida..como é feito esse arroz-de-hauçá que fiquei mega curiosa pra saber??

    beijos

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    • Katita disse:

      Roberta, arroz-de-hauçá é um prato africano que consiste num arroz empapado cozido com leite de coco, coroado com carne seca desfiada e um molho de camarão seco. Uma experiência incrível!
      Beijo,
      K.

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  • Carol disse:

    Amei muito tudo isso.
    Beijos

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  • Katita flor não sei porque mas tenho certeza que meu santo vai bater com o seu, Leila é uma amiga muito querida e competente, rs. E no Mugunzá o trabalho é M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O, é que sou mais de café-da-manhã que de almoço 🙂 e no comentário da Aline, já tive sim esse problema, mas pelo seguinte motivo TUDO é feito na hora. Sabe daquilo de comer comida fresca? Mesmo eu que sou uma esfomeada de marca maior me refastelei da única (mísera) vez que fui, afinal os ‘Iléus’ não me permitem,rs…bj flor

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  • Aline disse:

    Oi! Amo seu blog!!! Não sei se vem ao caso; mas quero dizer que já fui no Dona Mariquita e amei a comida. Só não gostei do ATENDIMENTO do Munguzá. Cardápio mais do que bom; mas, no dia só tinha uma pessoa atendendo e demorou mais de 1 hora pra chegar o prato do café da manhã!!!. Posso ter tido o azar de um dia ruim…
    Bj!
    Aline

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  • Carla (do Baianices) disse:

    Pof! Morri!
    Que que isso, meu pai? Porque eu nao sabia desse lugar quando fui da ultima vez? Agora vou ter que esperar deus sabe quanto tempo. Como diz meu marido “nao tem justo nesse mundo.”

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  • Karla Maria disse:

    Ka,
    essa dica preciosa eu vou dar para uma amiga querida que se divide entre Nanacity e Salvador.
    Fiquei louca de vontade de conhecer, pois esse é meu número, pode crer.
    Beijo e bom final de semana.

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  • Sandra disse:

    O Munguzá saiu na MUITO do último domingo. Lá é muito lindo e aconchegante e olha que você ainda não viu as louças que eles servem… Merece um novo post – “Totalmente Demais!”

    Katia, sou super fã dos seu blog – seus textos são ótimos, suas receitas também. Se me permite, acho que vc poderia fazer um link só com comentários dos filmes.

    Bom fim de semana!

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    • Katita disse:

      Sandra, boneca, obrigada! No meu blog anterior eu fui inventar de escrever sobre filmes de comer e quase fui devorada pela crítica especializada e isso me deu um medinho! Não quer dizer que eu não vá falar sobre as minhas impressões sobre um filme relacionado ao universo culinário, mas sobre os demais, acho que só cabe uma dica ou referência aqui e ali, entre uma mordidinha e outra…
      =)
      Beijim,
      K.

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  • Valentina Katia disse:

    Katita do céu!!!

    Deu até um rocroc na barriga, que lugar fofo..que gente linda. E eu aqui em Sampa…tenho que dar um jeito de aparecer por aí..rs

    Grata por tudo viu?!?

    bjss

    Valentina

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